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Varejo farmacêutico mantém crescimento mesmo com desaceleração do consumo
Varejo farmacêutico mantém crescimento mesmo com desaceleração do consumo

O varejo farmacêutico brasileiro segue apresentando crescimento mesmo diante de um ambiente econômico marcado por juros elevados, maior endividamento das famílias e desaceleração do consumo. A avaliação consta em relatório setorial do BTG Pactual divulgado em 23 de setembro de 2026, que analisou as perspectivas para os segmentos de varejo e bens de consumo no país.

Segundo o documento, as farmácias estão entre os segmentos classificados como “compounders” do varejo brasileiro, grupo que reúne empresas com crescimento estrutural, capacidade de ampliar participação de mercado e menor dependência das oscilações do ciclo econômico.

Nesse cenário, Raia Drogasil (RD) aparece como um dos principais exemplos. O relatório aponta potencial de crescimento de lucros acima de 20%, além de características relacionadas à atividade farmacêutica, ganhos recorrentes de participação de mercado e oportunidades adicionais vinculadas aos medicamentos agonistas de GLP-1.

A rede Panvel também é citada no estudo, com vetores estruturais semelhantes aos observados no setor, embora apresente maior concentração regional e menor liquidez.

GLP-1 amplia potencial da categoria

O mercado de medicamentos GLP-1 recebe atenção específica no relatório. O BTG Pactual considera que o potencial de longo prazo da categoria é significativo, mas depende de diferentes variáveis relacionadas à formação do mercado.

Para avaliar essa evolução, o banco desenvolveu um modelo financeiro que considera fatores como população adulta, prevalência de obesidade, pacientes com sobrepeso e comorbidades, diabetes tipo 2, número de pessoas diagnosticadas, taxas de prescrição, acessibilidade, permanência no tratamento, quantidade anual de unidades utilizadas por paciente e preços dos medicamentos.

Também entram no modelo os preços de medicamentos de referência e genéricos, a erosão de preços e a migração de participação entre diferentes produtos.

A análise separa medicamentos de referência e genéricos para avaliar a relação entre crescimento de volume e eventual redução do preço médio de venda com a entrada de alternativas de menor custo. O relatório aponta que a redução de preços e o aumento da concorrência tendem a ampliar a categoria, considerando a resposta observada no volume.

Expansão do setor vai além dos medicamentos para obesidade

O crescimento estrutural do mercado farmacêutico brasileiro não está restrito aos medicamentos GLP-1. Dados da IQVIA, da Interfarma e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) citados no relatório mostram que o mercado mais que triplicou nominalmente na última década, alcançando aproximadamente R$ 170 bilhões em 2024-2025.

O varejo farmacêutico permanece como principal canal de distribuição. Os medicamentos prescritos representam aproximadamente dois terços do mercado, enquanto os produtos de venda livre correspondem a cerca de um quarto. Os genéricos também ampliam sua participação à medida que a acessibilidade ganha relevância para os consumidores.

Entre os fatores estruturais associados ao avanço do setor estão o envelhecimento da população, o aumento da prevalência de doenças crônicas, a expansão da saúde privada, a ampliação do acesso por meio da Farmácia Popular, o crescimento das taxas de diagnóstico médico e a inovação farmacêutica.

Mesmo sem considerar os medicamentos GLP-1, o relatório projeta crescimento de volume em meados de um dígito e avanço da receita entre o alto dígito simples e o baixo dígito duplo ao longo da próxima década.

Mudanças regulatórias abrem espaço para o comércio digital

O comércio eletrônico farmacêutico também aparece entre os pontos analisados. A Anvisa revogou medidas que impediam a comercialização, distribuição e publicidade de medicamentos em plataformas digitais e aplicativos, com impacto sobre empresas como iFood, Rappi e Mercado Livre.

As mudanças ocorreram após a publicação das resoluções no Diário Oficial da União e estão relacionadas à abertura do ecossistema de comércio eletrônico farmacêutico.

O movimento também está relacionado à Lei 15.357, sancionada em março de 2026. A legislação autoriza farmácias e drogarias devidamente licenciadas a contratar canais digitais e plataformas de e-commerce para logística e entrega aos consumidores, desde que sejam observadas as normas sanitárias aplicáveis.

A alteração não representa uma autorização irrestrita para que plataformas comercializem medicamentos diretamente. A farmácia ou drogaria licenciada permanece responsável pela transação, enquanto a Anvisa ainda precisa regulamentar aspectos específicos da implementação.

A mudança reduz a incerteza regulatória relacionada aos modelos de intermediação por plataformas e pode acelerar o desenvolvimento de ofertas farmacêuticas digitais, aumentando a concorrência com as redes já estabelecidas.

Beleza e cuidados pessoais enfrentam maior concorrência

O segmento de beleza e cuidados pessoais, conhecido pela sigla HPC, também foi abordado no relatório. A categoria possui relevância para o faturamento das farmácias e enfrenta aumento da concorrência.

A Amazon ampliou seu sortimento de beleza em 45% em 2026 e utiliza estratégias envolvendo promoções, logística e descoberta de produtos por meio de criadores de conteúdo. O mercado movimentou aproximadamente R$ 200 bilhões em vendas em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Nesse ambiente, o relatório considera que a competição na categoria envolve fatores como variedade de produtos, preços, conveniência, confiança e velocidade de entrega.

A Raia Drogasil, por sua vez, lançou o formato Raia Conceito, que acrescenta mais de 2.500 produtos de beleza e aproximadamente 50 novas marcas ao sortimento, sendo 33 posicionadas como premium.

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