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Varejo farmacêutico mantém atratividade para investidores em meio à cautela econômica
Varejo farmacêutico mantém atratividade para investidores em meio à cautela econômica

O varejo farmacêutico brasileiro se destacou entre os segmentos de consumo que despertaram interesse de investidores em 2026, mesmo diante de um cenário econômico marcado por endividamento das famílias, crédito restrito e perda de poder de compra. O setor foi um dos focos de discussão sobre crescimento estrutural durante a Conferência Latino-Americana do BTG Pactual, realizada em Nova York.

Publicado em 1º de outubro de 2026, o relatório do banco reúne percepções obtidas em encontros com executivos de empresas listadas. Enquanto as análises de setores como vestuário e comércio eletrônico foram marcadas por preocupações com riscos e margens, as discussões sobre farmácias se concentraram nas perspectivas de expansão de longo prazo.

Medicamentos GLP-1 ganham importância nas estratégias das redes

Os medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, permaneceram entre os principais temas de interesse dos investidores. A análise passou a considerar não apenas a contribuição desses produtos para as vendas em 2026, mas também seus possíveis efeitos sobre o crescimento e a rentabilidade das redes farmacêuticas nos próximos anos.

A disponibilidade de alternativas de semaglutida com preços mais baixos pode ampliar o acesso aos tratamentos e aumentar a população atendida. A expansão das indicações desses medicamentos também representa uma possibilidade de crescimento da categoria.

A Raia Drogasil considera que a redução de preços e o aumento da concorrência podem favorecer o desenvolvimento do segmento, estimulando o crescimento do volume de vendas. A companhia também apresenta perspectivas positivas para categorias além dos GLP-1, com destaque para a recuperação de higiene e cuidados pessoais e os ganhos de participação de mercado.

Na Pague Menos, a disponibilidade dos medicamentos aparece como um fator limitante. A escassez frequente de produtos pode restringir as vendas nas mesmas lojas (SSS) e a penetração dos tratamentos. Com o aumento da concorrência, a expectativa é de normalização gradual dos preços e das margens brutas, com maior importância do volume de vendas para a evolução do segmento.

Marketplaces ampliam a concorrência no canal farma

A entrada de marketplaces horizontais no mercado de medicamentos, especialmente após os movimentos do Mercado Livre em direção aos produtos sob prescrição, também esteve entre os principais assuntos discutidos no evento.

A expansão do comércio eletrônico pode alterar a forma como os consumidores pesquisam, comparam preços e realizam compras. Entretanto, a concorrência com grandes redes farmacêuticas envolve fatores que vão além da migração das vendas para o ambiente digital.

A Raia Drogasil conta com uma rede de aproximadamente 3.700 lojas e um ecossistema digital próprio. A combinação dessas estruturas permite que as unidades físicas também desempenhem funções relacionadas à logística, à aquisição de clientes e ao relacionamento com os consumidores.

A Pague Menos apresenta uma visão mais cautelosa sobre o modelo de marketplace, considerando as margens reduzidas do setor, a complexidade regulatória e a dificuldade de absorver as taxas cobradas por essas plataformas.

Estrutura física e exigências regulatórias influenciam a competição

A validação de receitas, o manuseio regulado de medicamentos, a disponibilidade de estoque, a confiabilidade das entregas e a proximidade física das farmácias constituem fatores relevantes na concorrência entre os diferentes canais de venda.

O Mercado Livre possui tráfego elevado, frequência de clientes e capacidade logística, características que o tornam um concorrente relevante principalmente em higiene, perfumaria e cosméticos (HPC), beleza e produtos padronizados.

As redes farmacêuticas tradicionais, por sua vez, contam com reconhecimento dos consumidores, relacionamento com o sistema de saúde, presença física abrangente e relações estabelecidas com fornecedores de medicamentos.

Nesse cenário, a disputa pelo consumidor envolve tanto a conveniência das compras digitais quanto a capacidade de oferecer disponibilidade de produtos, atendimento e serviços dentro das exigências regulatórias do setor.

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