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Roubo de medicamentos ganha força entre perdas do transporte de cargas no Brasil
Roubo de medicamentos ganha força entre perdas do transporte de cargas no Brasil

O roubo de medicamentos ganhou relevância na distribuição dos prejuízos provocados pelo roubo de cargas no Brasil durante o primeiro semestre de 2026. A participação dos produtos farmacêuticos passou de 2,8% para 19% em um ano, fazendo com que o transporte de produtos farmacêuticos avançasse da sexta para a terceira posição entre as categorias mais atingidas.

Os dados integram o Report Nstech de Roubo de Cargas, que também apontou alterações na distribuição geográfica e nos horários das ocorrências. Entre janeiro e junho de 2026, o Sudeste concentrou 77,2% dos prejuízos nacionais, contra 60,5% no primeiro semestre de 2025.

O Rio de Janeiro apresentou o maior crescimento entre os estados analisados e passou a liderar o ranking nacional, respondendo por 36,6% das perdas, ante 16,1% no mesmo período do ano anterior. São Paulo ficou em segundo lugar, com 30,9%, enquanto Minas Gerais representou 9,3% dos prejuízos.

As vias urbanas também ganharam participação na distribuição das ocorrências. No primeiro semestre de 2026, elas concentraram 39,6% dos prejuízos, quase o dobro dos 20,4% registrados no mesmo período de 2025.

No Rio de Janeiro, a capital respondeu sozinha por 20,1% das perdas nacionais. Na sequência aparecem Duque de Caxias, com 6%, São Gonçalo, com 3%, e Nova Iguaçu, com 1,9%.

Entre as rodovias, a BR-101 apresentou a maior participação nas perdas, com 17,1% dos prejuízos, contra 10,8% no primeiro semestre de 2025. A BR-116 ficou em segundo lugar, passando de 4,8% para 8,2%.

Os horários dos crimes também apresentaram mudança. A madrugada concentrou 32,9% dos prejuízos no primeiro semestre de 2026, frente a 14,4% no mesmo período de 2025. A noite representou outros 24,5%. Juntos, os dois períodos corresponderam a 57,4% das perdas registradas pelas transportadoras.

Na distribuição por dia da semana, a quinta-feira concentrou 22% dos prejuízos e permaneceu como o dia de maior participação. As segundas-feiras passaram de 9,3% para 15,6%, enquanto as terças-feiras avançaram de 9% para 14,3%. Aos domingos, por outro lado, a participação caiu de 13,2% para 5%.

Medicamentos de alta demanda estão entre os alvos

Parte dos medicamentos roubados é direcionada ao comércio ilegal pela internet. Entre os produtos de alta demanda estão as canetas emagrecedoras Ozempic e Mounjaro e os psicoestimulantes Ritalina e Venvanse, utilizados no tratamento do déficit de atenção.

Um levantamento divulgado pela ABRADIMEX em julho estimou perdas de R$ 283 bilhões no canal farma brasileiro somente em 2025 em decorrência do roubo de cargas.

O interesse das quadrilhas também alcança medicamentos especializados, como produtos oncológicos, imunobiológicos, terapias para doenças raras, fatores de coagulação e imunoglobulinas.

Parte desses produtos exige condições específicas de armazenamento, com necessidade de manutenção de temperaturas entre 2°C e 8°C. Após um roubo, a integridade da cadeia de frio desses medicamentos não pode ser garantida.

Projeto de lei prevê penas específicas

O aumento dos roubos envolvendo medicamentos especializados também chegou ao Legislativo. Protocolado na Câmara dos Deputados em 31 de agosto, o Projeto de Lei 5.225/2026 propõe tratamento penal específico para crimes relacionados a medicamentos, insumos hospitalares e dispositivos médicos.

Para casos de roubo, a proposta estabelece pena de reclusão de até 14 anos.

O projeto foi elaborado pelo Instituto Ética Saúde (IES) a partir de discussões com seu Conselho Consultivo, que conta com a participação da ABRADIMEX, da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi) e de outras entidades no âmbito da Frente Parlamentar Mista da Saúde.

A proposta também contempla o comércio eletrônico. O texto prevê a responsabilização do representante legal ou do profissional responsável pela plataforma digital quando houver ciência inequívoca sobre a origem criminosa do medicamento.

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