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O volume de prescrições digitais de medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, cresceu 304,9% em 2025 em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do Panorama da Prescrição Digital 2026, levantamento da Memed, que também estima uma movimentação de R$ 3,8 bilhões por trimestre para a categoria, equivalente a mais de 5% do faturamento do mercado farmacêutico.
O crescimento das prescrições digitais ocorre pelo terceiro ano consecutivo. Em 2023, o avanço foi de 17,7%, seguido por uma alta de 29,8% em 2024.
Mounjaro assume a liderança nas prescrições digitais
A participação das marcas nas prescrições digitais de medicamentos para controle de peso mudou significativamente entre 2022 e o primeiro semestre de 2026.
O Ozempic, que concentrava 66% das emissões em 2022 e 65% em 2023, teve sua participação reduzida para 9% em 2025 e 4% no primeiro semestre de 2026.
Em contrapartida, o Mounjaro, à base de tirzepatida, alcançou 44% das prescrições em 2025, ano de sua estreia, e chegou a 58% no primeiro semestre de 2026.
O Wegovy registrou participação de 32% em 2025 e atingiu 20% em 2026. Já o Rybelsus respondeu por 7% das prescrições digitais no primeiro semestre de 2026. Lançado em junho de 2026, o Ozivy alcançou 1% das prescrições da categoria em seu primeiro mês no mercado.
A evolução também aparece nos dados de participação das moléculas no varejo farmacêutico. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a tirzepatida passou de 51,1% para 69,2%, enquanto a semaglutida respondeu por 30,3% no último período.
Regras sanitárias aumentam o controle sobre a categoria
O avanço da demanda ocorreu paralelamente ao reforço da fiscalização sanitária. Em junho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir a retenção obrigatória das receitas e o registro das dispensações de análogos de GLP-1 no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). As prescrições passaram a ter validade de 90 dias.
Também foram reforçadas as restrições à manipulação de moléculas biotecnológicas, como a semaglutida, diante das exigências relacionadas à eficácia e à segurança desses medicamentos.
Nesse cenário, a prescrição digital integra o processo de atendimento e gera informações que podem contribuir para a análise dos padrões de utilização dos tratamentos, desde que sejam observadas as exigências de responsabilidade e privacidade dos dados.
Mulheres representam a maior parte das prescrições
O levantamento da Memed também identificou características demográficas dos pacientes que utilizam prescrições digitais para tratamentos com canetas emagrecedoras.
As mulheres representam 69,33% das prescrições digitais da categoria, volume 2,3 vezes superior ao registrado entre os homens. Na distribuição por idade, adultos de 30 a 49 anos concentram 54% das prescrições.
Entre as especialidades médicas, endocrinologia e metabologia respondem por 77,58% das prescrições acumuladas. Outras áreas também participam desse volume, como cardiologia, com 6,92%; clínica geral, com 5,88%; ginecologia, com 5,30%; e psiquiatria, com 4,32%.