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Mercado de medicamentos de referência estabiliza perda de participação após avanço de genéricos e similares
Mercado de medicamentos de referência estabiliza perda de participação após avanço de genéricos e similares

A perda de participação de mercado dos medicamentos de referência desacelerou e apresentou maior estabilidade a partir de 2011, após um período de redução mais acentuada entre 2006 e 2011. A conclusão faz parte de uma análise da IQVIA publicada no Overview Pharma do quarto bimestre de 2026, que avaliou a evolução do mercado farmacêutico entre 2006 e 2026, considerando a entrada de medicamentos genéricos e similares e os efeitos desses lançamentos sobre a demanda.

O levantamento abrangeu 71 moléculas com faturamento superior a R$ 100 milhões a preço de venda do fabricante (PPP) que passaram a contar com genéricos ou similares a partir de 2009.

Entre 2011 e 2026, a redução da participação dos medicamentos de referência apresentou trajetórias semelhantes em três períodos: de 2011 a 2016, de 2016 a 2021 e de 2021 a 2026. O comportamento indica uma estabilização no ritmo de perda de mercado em comparação com os anos anteriores.

Estratégias comerciais e entrada de concorrentes

A análise identificou dois fatores associados à redução mais intensa da participação dos medicamentos de referência entre 2006 e 2011. O primeiro foi a entrada de genéricos e similares de moléculas amplamente utilizadas, como atorvastatina, rosuvastatina, quetiapina e sildenafila. O segundo envolveu a adoção posterior de estratégias comerciais pelos fabricantes dos medicamentos de referência.

Entre as medidas adotadas para conter a perda de participação estão o lançamento de segundas marcas antes do vencimento das patentes, a redução de preços e a ampliação dos programas de benefícios em medicamentos (PBMs).

A IQVIA também avaliou o efeito da entrada de genéricos e similares sobre a expansão da demanda. Para isso, comparou o volume registrado nos 24 meses seguintes ao vencimento das patentes com a tendência anterior dos medicamentos de referência.

O maior índice de expansão incremental ocorreu entre 2006 e 2011, quando alcançou 141,15. Nos períodos seguintes, os resultados foram menores: 57,06 entre 2011 e 2016, 41,62 entre 2016 e 2021 e 43,51 entre 2021 e 2026.

Os dados indicam que o crescimento adicional da demanda após a entrada de genéricos e similares se tornou mais estável nos últimos três quinquênios, acompanhando a estabilização da redistribuição da participação de mercado entre os fabricantes.

Atualmente, os medicamentos genéricos representam cerca de 40% do setor farmacêutico brasileiro e contribuem para a posição do país como o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo.

Mercado de medicamentos sob prescrição cresce 12,4%

A edição mais recente do Overview Pharma, referente a julho e agosto de 2026, registrou faturamento de R$ 105,2 bilhões no mercado de medicamentos sob prescrição (RX) nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, considerando os preços de venda do fabricante (PPP).

O resultado representa crescimento de 12,4% em relação aos R$ 93,56 bilhões registrados no período de 12 meses encerrado em agosto de 2025. A trajetória histórica da cesta de medicamentos RX também apresentou expansão, passando de R$ 67,6 bilhões em 2022 para R$ 77,7 bilhões em 2023 e R$ 84,2 bilhões em 2024.

Do crescimento de R$ 11,64 bilhões registrado no período mais recente, o volume respondeu por R$ 8,68 bilhões. A entrada de novos SKUs acrescentou R$ 4,47 bilhões, enquanto o fator preço/mix contribuiu com R$ 1,52 bilhão.

Em setembro de 2026, as vendas do mercado farmacêutico cresceram 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo da expansão de 5,7% observada em agosto. No acumulado até setembro, as vendas do setor avançaram 9,6%, enquanto o segmento de genéricos registrou alta de 10,4%.

A evolução mensal também mostrou desaceleração. Em março, o mercado farmacêutico cresceu 18,9%, e os genéricos avançaram 20,6%. Em setembro, as taxas foram de 3,7% e 3,4%, respectivamente.

Classes terapêuticas concentram diferentes parcelas do crescimento

Na divisão por classes terapêuticas, a classe A, que abrange aparelho digestivo e metabolismo, respondeu por aproximadamente 29% do faturamento e adicionou R$ 7,73 bilhões ao mercado.

A classe N, relacionada ao sistema nervoso, representou 18% do mercado e acrescentou R$ 1,73 bilhão. A classe C, correspondente ao sistema cardiovascular, teve participação de 14% e avanço de R$ 1,51 bilhão. Já a classe G, que reúne medicamentos para o sistema geniturinário e hormônios sexuais, respondeu por 9% e adicionou R$ 910 milhões.

A classe R, referente ao aparelho respiratório, representou 5% do mercado e registrou acréscimo de R$ 30 milhões. As demais classes somaram 25% de participação, mas apresentaram redução de R$ 270 milhões.

EMS lidera ranking de corporações farmacêuticas

No ranking de corporações por faturamento a preço de venda do fabricante (PPP), considerando o mercado total e o varejo digital, a EMS manteve a primeira posição no Brasil.

A Eurofarma ocupou o segundo lugar, seguida pela Eli Lilly na terceira posição. Aché e Novo completaram as cinco primeiras colocações.

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