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O avanço dos medicamentos análogos de GLP-1 vem provocando mudanças no mercado farmacêutico brasileiro, tanto na participação da categoria quanto na distribuição dos produtos e no comportamento de consumo associado ao tratamento.
Dados apresentados pela IQVIA na World Review Conference 2026 mostram que, no acumulado até junho de 2026, o mercado farmacêutico brasileiro movimentou R$ 130,3 bilhões em preço ao consumidor (R$ CPP), crescimento de 10,1% em relação aos R$ 118,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
No mesmo intervalo, o mercado de GLP-1 apresentou crescimento de 99,4%, considerando liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
GLP-1 amplia participação no mercado farmacêutico
O mercado da categoria passou de R$ 4,3 bilhões no acumulado até junho de 2025 para R$ 8,5 bilhões nos primeiros seis meses de 2026.
Com esse avanço, a participação dos medicamentos GLP-1 no mercado farmacêutico também aumentou. No YTD Jun’25, a categoria representava 3,6% do mercado. Um ano depois, no YTD Jun’26, passou a responder por 6,6%.
A expansão ocorre em diferentes segmentos do varejo farmacêutico e acompanha a entrada de novos produtos e a ampliação da distribuição.
Categoria chega a mais formatos de farmácias
A presença dos medicamentos GLP-1 também deixou de estar concentrada exclusivamente nas grandes redes. A chegada dos similares contribui para ampliar o acesso aos produtos e aumenta a presença dos análogos de GLP-1 em diferentes estabelecimentos.
Nesse processo, associativistas e farmácias independentes passam a ter maior participação, enquanto a distribuição amplia seu papel na disponibilização dos medicamentos em diferentes pontos de venda.
O movimento também aumenta o número de farmácias que passam a trabalhar com os análogos de GLP-1.
Crescimento é ainda maior em determinados segmentos
Os dados da IQVIA mostram diferenças importantes entre os mercados de medicamentos sujeitos a prescrição.
Entre os medicamentos de prescrição de marca/similar sem GLP-1, o valor passou de R$ 18,7 bilhões no YTD Jun’25 para R$ 20 bilhões no YTD Jun’26, alta de 6,8%. No recorte específico de GLP-1 dentro desse segmento, o mercado passou de R$ 0,5 bilhão para R$ 1 bilhão, crescimento de 118,9%.
Entre os medicamentos de prescrição de referência, o mercado sem GLP-1 evoluiu de R$ 18,9 bilhões para R$ 19,1 bilhões, avanço de 1,5%. Já os medicamentos GLP-1 nesse segmento passaram de R$ 3,8 bilhões para R$ 7,5 bilhões, alta de 97%.
Considerando o mercado total de GLP-1, o crescimento foi de R$ 4,3 bilhões no YTD Jun’25 para R$ 8,5 bilhões no YTD Jun’26, equivalente a 99,4%.
Categorias relacionadas também avançam
O crescimento dos medicamentos GLP-1 ocorre paralelamente à expansão de produtos associados à jornada de consumo relacionada ao tratamento.
Segundo os dados da IQVIA, medidos em preço ao consumidor e considerando o acumulado até junho de 2026, os alimentos esportivos cresceram 20%, enquanto vitaminas, minerais e suplementos avançaram 9%. Os produtos gastrointestinais tiveram crescimento de 8%, e a categoria de cuidados ao paciente aumentou 15%.
Entre as subcategorias analisadas, os produtos com whey apresentaram evolução de 20%. Os laxantes cresceram 16%, enquanto monovitaminas e minerais avançaram 18%.
O maior crescimento entre os itens destacados foi registrado por agulhas e seringas, com alta de 249%.
Farmácias precisam adaptar processos
A expansão dos medicamentos GLP-1 também traz mudanças operacionais para os estabelecimentos que trabalham com a categoria.
Entre os aspectos apontados estão o armazenamento adequado dos produtos, incluindo a cadeia fria, e a capacidade de trabalhar com medicamentos termolábeis. Também estão incluídos processos para retenção de receita, conforme a RDC 471, além da organização de categorias relacionadas ao tratamento.
Para os distribuidores, o cenário envolve a ampliação da cobertura para canais associativistas e independentes, a preparação do mix para similares e para produtos relacionados à jornada de consumo, além do acompanhamento de rupturas e disponibilidade.
A evolução da categoria também exige atenção à precificação, ao relacionamento com o consumidor e à capacidade das farmácias de acompanhar a jornada de compra associada aos medicamentos GLP-1.